Noite. Uma praça suja no centro de São Paulo. Em volta algumas lojas e prédios enfeitados com luzes de Natal. Largados em um banco no centro da praça, está uma família de moradores de rua. Grace corre feliz pela praça, com seus sete anos, ainda inocente da verdadeira situação que se encontra sua família; cai, se machuca e corre para os braços de sua mãe, que, baixinho lamenta não ter mais dinheiro pra comprar remédio para o joelhinho ralado da filha tão querida. Enquanto João, também com seus sete anos, tenta, com seu lindo sorriso e uma pequena habilidade com brinquedos de equilibrar que ganhou de seus irmãos, faturar umas moedinhas para ajudar a colocar um ou dois pãezinhos franceses debaixo daquela pequena árvore que seu pai tinha enfeitado com panos velhos pra dar um colorido, uma lembrança vaga do que é o Natal... Um ou dois pãezinhos que seriam divididos entre toda a família... José Amaro, o pai, pulava de ônibus em ônibus pedindo ajuda para as pessoas, quando muito consegui...
A tela do computador é uma folha de caderno em branco... o teclado uma deliciosa caneta... Da ponta dos meus dedos escapam palavras que transbordam da junção de uma imaginação fértil e um coração bobo.