Hey! Quem é você? Esse quarto é meu. Saia já daqui, ou será que eu vou ter que chamar a polícia??? Ow, esse computador também é meu, não te autorizei a mexer nele! Como raios você sabe a senha dele? Opa, pera… aí você já está abusando… quer atender meu celular, chamar de mãe a minha mãe, e de sobrinho o meu sobrinho? Bom, tá escurecendo… agora você vai embora, né? NÃO! Na minha cama não! Droga! Não sei por quanto tempo repeti este diálogo… dias e dias sem parar, enquanto aquele ser estranho usufruía de tudo que era meu. Mas, ele simplesmente me ignorou. Nunca na vida fui tão ignorado assim. De vez em quando, ele até me olhava, mas não me via. Sabe? Quando a gente olha algo, mas não enxerga? Pois é… era isso que acontecia. De repente, eu fiquei sem saber o que estava doendo mais… se era ser ignorado, não ser visto ou perder a minha identidade para alguém que pensava ser eu. E a cada dia aquele ser piorava… Eu via calado aquela pele ficar estranha, vermelha...
A tela do computador é uma folha de caderno em branco... o teclado uma deliciosa caneta... Da ponta dos meus dedos escapam palavras que transbordam da junção de uma imaginação fértil e um coração bobo.