E lá estava ela, como todos os dias... O fone de ouvido sempre no último volume, totalmente alheia ao mundo lá fora... Naqueles momentos ela não via ninguém, não ouvia ninguém... Apenas gostava de ver o mundo passando, em paralelo ás histórias na sua cabeça... Era divertido comparar o atual com o velho... Ela lembrava do que havia vivido ao som de cada música, os amores vividos, os erros cometidos... E não era difícil vê-la segurando uma lágrima de saudades, ou rindo sozinha dentro de um ônibus... E se as pessoas a olhavam estranho, tudo bem... Ela não enxergava mesmo... Para que se importar? E foi assim, num dia de sol, que ele a encontrou... Ela nem sequer percebeu a presença dele e estava sorrindo um sorriso misterioso... E ele nem sabia que naquele exato momento, ela ouvia uma música que relatava a época deles... Ele não sabia se podia se aproximar, se ela lembraria dele, e se por acaso lembrasse, se ela o reconheceria depois de tantos anos sem ao menos um encontro casual... ...
A tela do computador é uma folha de caderno em branco... o teclado uma deliciosa caneta... Da ponta dos meus dedos escapam palavras que transbordam da junção de uma imaginação fértil e um coração bobo.