E lá estava ela, como todos os dias...
O fone de ouvido sempre no último volume, totalmente alheia ao mundo lá fora...
Naqueles momentos ela não via ninguém, não ouvia ninguém... Apenas gostava de ver o mundo passando, em paralelo ás histórias na sua cabeça... Era divertido comparar o atual com o velho...
Ela lembrava do que havia vivido ao som de cada música, os amores vividos, os erros cometidos... E não era difícil vê-la segurando uma lágrima de saudades, ou rindo sozinha dentro de um ônibus... E se as pessoas a olhavam estranho, tudo bem... Ela não enxergava mesmo... Para que se importar?
E foi assim, num dia de sol, que ele a encontrou... Ela nem sequer percebeu a presença dele e estava sorrindo um sorriso misterioso... E ele nem sabia que naquele exato momento, ela ouvia uma música que relatava a época deles...
Ele não sabia se podia se aproximar, se ela lembraria dele, e se por acaso lembrasse, se ela o reconheceria depois de tantos anos sem ao menos um encontro casual...
Ela continuava com seu sonho musical, e no seu íntimo perguntava-se que fim havia levado aquele rapaz que havia amado tanto na adolescência, e que havia contribuído tanto para que ela se tornasse quem era... Neste momento, a pessoa que estava ao seu lado se levantou, vagando o lugar...
Ele viu aquele lugar vago, e pensou que aquela podia ser a única chance... Se levantou, e sem pensar muito sentou-se ali... Fazendo questão de parecer desajeitado e esbarrar nela para chamar a sua atenção...
- Desculpe!
Ela não ouviu a sua voz, mas ao olhar para ele, ela sabia... Seus olhos não esconderam o espanto e a vergonha infantil a fez desviar os olhos de volta para a janela... Mas ela voltou a olhar para o lado... Ele ainda olhava para ela com olhos calmos, tranquilos, saudosos... Ela desligou a música...
- Rafael?
Ele confirmou... Ela sorriu... E guardou pra si que pensava nele... E conversaram muito... Ela contou que quase se casou, mas desistiu por que percebeu que não amava o futuro marido, que desde então apenas se dedicava á vida profissional... Que relacionamentos não eram pra ela... Ele contou que havia conhecido a mulher ideal, e estava com o casamento marcado para daqui a seis meses... Ela respirou fundo... Ele não percebeu... E continuaram conversando por muito tempo, trocaram telefones e retomaram a antiga amizade...
Ela conheceu Vitória, e se tornaram grandes amigas... Vitória realmente era a mulher certa pra ele, era animada, feliz e seria uma ótima mãe pros filhos dele... Isso aliviava a alma dela, já tão sofrida...
Até o dia que o convite foi feito,e ela não poderia recusar... Seria madrinha daquele casamento... Juntou uma grana boa, e comprou presentes de casamento inesquecíveis para o tão querido casal de amigos... Com o troco, passou na farmácia e comprou uma caixa extra de suas pílulas para dormir...Vai que acabassem na noite em que mais precisaria delas?
Duas noites antes do casamento, as despedidas de solteiro... Rafael foi para uma festa com os amigos, Vitória foi para outra com ela e outras amigas... Uma noite mágica, elas se divertiram muito...
Na noite anterior, ela estava em casa, sozinha... com suas músicas no último volume... do lado uma garrafa de vodka cara... nas mãos, papel e caneta e da ponta dos dedos uma carta era escrita...
- Desculpe, mas não aguento viver sem o único homem que amei a vida inteira... Mesmo longe, te sentia perto... Não pude manter um relacionamento na falsidade, e também não posso manter uma vida na falsidade... Seja feliz!
Ela se embebedou, chorou, guardou seu desabafo que lhe faltava coragem para entregar...
A cerimônia foi linda, ela chorou de emoção (emoção?) durante todos os momentos, especialmente no SIM... Na festa, ela dançou como nunca, bebeu e comeu em excesso e se despediu intensamente do casal amigo quando eles partiram para sua lua de mel...
Chegou em casa, tomou um banho quente e demorado, colocou a sua camisola preferida e mais confortável... Envelopou a carta escrita na noite anterior, trancou a porta de casa e do quarto, tomou suas pílulas...
E dormiu!
O fone de ouvido sempre no último volume, totalmente alheia ao mundo lá fora...
Naqueles momentos ela não via ninguém, não ouvia ninguém... Apenas gostava de ver o mundo passando, em paralelo ás histórias na sua cabeça... Era divertido comparar o atual com o velho...
Ela lembrava do que havia vivido ao som de cada música, os amores vividos, os erros cometidos... E não era difícil vê-la segurando uma lágrima de saudades, ou rindo sozinha dentro de um ônibus... E se as pessoas a olhavam estranho, tudo bem... Ela não enxergava mesmo... Para que se importar?
E foi assim, num dia de sol, que ele a encontrou... Ela nem sequer percebeu a presença dele e estava sorrindo um sorriso misterioso... E ele nem sabia que naquele exato momento, ela ouvia uma música que relatava a época deles...
Ele não sabia se podia se aproximar, se ela lembraria dele, e se por acaso lembrasse, se ela o reconheceria depois de tantos anos sem ao menos um encontro casual...
Ela continuava com seu sonho musical, e no seu íntimo perguntava-se que fim havia levado aquele rapaz que havia amado tanto na adolescência, e que havia contribuído tanto para que ela se tornasse quem era... Neste momento, a pessoa que estava ao seu lado se levantou, vagando o lugar...
Ele viu aquele lugar vago, e pensou que aquela podia ser a única chance... Se levantou, e sem pensar muito sentou-se ali... Fazendo questão de parecer desajeitado e esbarrar nela para chamar a sua atenção...
- Desculpe!
Ela não ouviu a sua voz, mas ao olhar para ele, ela sabia... Seus olhos não esconderam o espanto e a vergonha infantil a fez desviar os olhos de volta para a janela... Mas ela voltou a olhar para o lado... Ele ainda olhava para ela com olhos calmos, tranquilos, saudosos... Ela desligou a música...
- Rafael?
Ele confirmou... Ela sorriu... E guardou pra si que pensava nele... E conversaram muito... Ela contou que quase se casou, mas desistiu por que percebeu que não amava o futuro marido, que desde então apenas se dedicava á vida profissional... Que relacionamentos não eram pra ela... Ele contou que havia conhecido a mulher ideal, e estava com o casamento marcado para daqui a seis meses... Ela respirou fundo... Ele não percebeu... E continuaram conversando por muito tempo, trocaram telefones e retomaram a antiga amizade...
Ela conheceu Vitória, e se tornaram grandes amigas... Vitória realmente era a mulher certa pra ele, era animada, feliz e seria uma ótima mãe pros filhos dele... Isso aliviava a alma dela, já tão sofrida...
Até o dia que o convite foi feito,e ela não poderia recusar... Seria madrinha daquele casamento... Juntou uma grana boa, e comprou presentes de casamento inesquecíveis para o tão querido casal de amigos... Com o troco, passou na farmácia e comprou uma caixa extra de suas pílulas para dormir...Vai que acabassem na noite em que mais precisaria delas?
Duas noites antes do casamento, as despedidas de solteiro... Rafael foi para uma festa com os amigos, Vitória foi para outra com ela e outras amigas... Uma noite mágica, elas se divertiram muito...
Na noite anterior, ela estava em casa, sozinha... com suas músicas no último volume... do lado uma garrafa de vodka cara... nas mãos, papel e caneta e da ponta dos dedos uma carta era escrita...
- Desculpe, mas não aguento viver sem o único homem que amei a vida inteira... Mesmo longe, te sentia perto... Não pude manter um relacionamento na falsidade, e também não posso manter uma vida na falsidade... Seja feliz!
Ela se embebedou, chorou, guardou seu desabafo que lhe faltava coragem para entregar...
A cerimônia foi linda, ela chorou de emoção (emoção?) durante todos os momentos, especialmente no SIM... Na festa, ela dançou como nunca, bebeu e comeu em excesso e se despediu intensamente do casal amigo quando eles partiram para sua lua de mel...
Chegou em casa, tomou um banho quente e demorado, colocou a sua camisola preferida e mais confortável... Envelopou a carta escrita na noite anterior, trancou a porta de casa e do quarto, tomou suas pílulas...
E dormiu!
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