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Bagunça Mental



Controle de videogame. Remédio. Acetona. Tablet. Caixa de som bluetooth desligada (e provavelmente descarregada). Canetas sem tinta. Fone de ouvido do celular. O celular. Telefone. Cabo de dados. Controles remotos da TV e TV a cabo. Algodão. Telefone. Marcador de livro. Régua com calculadora (usada há dois dias atrás e ainda não guardada). Carteira. Bloco de papel para anotações. Pilhas usadas. Porta-canetas lotado de canetas e lápis. Lixo de mesa. Jornal do centro espírita ainda não lido embaixo do suporte do monitor. Carregador do celular. Post-its no monitor. Fita métrica da minha mãe (que também já devia estar guardada). Caixa de plástico de utensílios de manicure. Um brinco (o par dele está na cômoda atrás de mim). Caixas de som do notebook (raramente usadas). Base do telefone fixo. Teclado e mouse sem fios e um mousepad que também é um Hub USB com 4 portas. Caderno feito de folhas almaço com as anotações do que eu deveria estar fazendo agora. Caneta rosa. 



mesa bagunçada

E exatamente agora, Renato Russo ecoa em meus ouvidos, com a sua preciosa Pais e Filhos. Em minha mente, vejo claramente um momento que vivi ainda na escola... em algum ano do ensino médio, uma professora de Literatura/Português, fez com que nós estudássemos essa letra, essa verdadeira preciosidade, e por fim, acabasse com a dúvida mais louca que assombrava a minha cabeça até aquele minuto. Não, eu não tinha me ligado que aquelas frases "desconexas" se tratavam de uma conversa entre amigos! MEU DEUS, eu era maluca! 

Coloquei Legião Urbana pra tocar enquanto escrevia, porque comecei a pensar em uma música específica, mas me esqueci qual é o nome dela... percebi que faz muito tempo que eu não escuto eles... então, ao invés de colocar aquela música, achei mais legal dar play em músicas aleatórias que o Spotify me trouxe. E pronto. As palavras tomaram outro rumo. Será que em algum momento este texto vai retomar seu sentido original?
Nota incluída depois do texto pronto: a música que eu procurava era Angra dos Reis, e sim, chegou ao sentido original, mas não da forma que eu esperava.

Escrever é uma necessidade para mim. E se eu fico muito tempo sem escrever é porque tem algo errado. Muito errado. Sim, bloqueio criativo de mais de um ano que tomou conta de mim nos últimos tempos, estou falando de você mesmo. Mas, de vez em quando, eu sinto uma vontade urgente de soltar palavras pelas pontas dos dedos... E aí, quem trava é a necessidade de fazer outras coisas, as coisas que eu preciso fazer. Começa a subir uma angústia, uma tristeza, uma gastura... não sei explicar o que é. E legal é que, ás vezes, o que eu escrevo nesses momentos, nem chega a ser finalizado. Ou publicado. Sim, estou falando dos inúmeros textos salvos no rascunho deste mesmo blog. Aliás, será que este texto será publicado, ou ficará nos confins deste espaço, aguardando que um dia eu termine ele?

Essa bagunça me irrita ás vezes... mas, quando está tudo arrumado, também me sinto irritada. Queria tanto saber a causa dessa bipolaridade de sentimentos. Meu espaço físico reflete o meu espaço mental. Tudo por aqui acaba ficando bagunçado. A gaveta de projetos está aberta. E sendo alimentada, o tempo todo. Já está transbordando... E não sei nem por onde começar. Olho por cima, vejo que tem muita coisa boa guardada... vejo coisas que não deveriam nem ter entrado na gaveta também, mas não tenho coragem de jogar fora... daí alguma coisa chama a minha atenção... e quando eu volto o olhar pra mesma gaveta, o que deveria ir pro lixo, é sensacional. E o que era sensacional, deveria ir pro lixo. Por que isso acontece? Será que eu sou louca? E no final, nada sai lá de dentro. 

"Comparamos nossas vidas... Esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar..." Esse trecho me define. Pra caralho (desculpa a palavra, mas caramba não significaria a quantidade de sentimento que eu queria passar)! Todos os dias eu entro no Facebook... olho ali no lado a lista dos meus amigos online... e fico pensando em tanta gente legal que eu gostaria de conversar, dizer um simples oi, saber se aquela pessoa tá legal, o que ela tem feito da vida, até começar uma nova amizade, quem sabe... mas aí, sabe o que acontece? Eu não falo nada. Sempre fico pensando que pra criar o tipo de conexão que eu quero/preciso, carece tempo, concentração... e eu sempre acho que não vou conseguir esse tempo. Ou se eu conseguir, esse tempo vai tirar meu foco de outras coisas que eu preciso ter. E isso me enlouquece. E me trava. Pô, eu só queria ter um pouco mais de amigos, não sentir essa solidão maluca que essa crise e essa vida de home office me trouxe.
Ah, isso vale para os grupos de WhatsApp tb, ok? Sei que tem pelo menos um que me colocaram com pessoas que eu conheci, que não conhecia, e eu acabei não interagindo porque esse mesmo medo me travou (tá bom, eu assumo que também houve uma certa insegurança de ninguém lembrar quem era eu).

Mas, eu não sei lidar com essa falta de foco, essa necessidade louca de lidar só comigo mesma que a minha opção de ser freelancer me trouxe. Parece loucura, mas eu conseguia entender e conciliar essas coisas melhor quando eu trabalhava em empresa, com várias obrigações para fazer durante o dia. Eu achava tempo para tudo. Hoje, que eu tenho tempo livre e não tenho chefe, parece que uma simples ida ao banheiro vai me atrapalhar em tudo. O que acontece comigo? Socorro. 
Aliás, se tiver alguém lendo até aqui (se é que alguém chegou a clicar no link e começar a ler, né) e tiver boas dicas de como manter o foco e se organizar, eu aceito. Se é que não já tentei o que você tiver pra indicar, né? Porque eu já tentei tantas coisas... que já me perdi em todas as técnicas. Já juntei uma com a outra, já tentei criar novas... e parece que eu falo com a parede. Nada funciona. E eu apenas me afundo a cada dia mais em crises e crises... (Sim, estou falando de uma suspeita de TDAH que será confirmada - ou não - no mês que vem.)

"Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo o que eu ainda não vi"
É, eu coloquei Índios... e percebi que ainda não consigo falar sobre o que essa música representa... essa saudade que essa música me traz, dói. Dói bastante. E não chega até a ponta dos meus dedos. Esse pedaço fala dos sentimentos mais íntimos, mais verdadeiros, mais intensos que eu já senti... E as perdas mais "perdidas" que eu já passei. E a decisão mais difícil que já tomei na vida. 

"Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade..." Essa música não estava nos planos... começou a tocar porque eu me distraí em outra coisa, afastando as lembranças doloridas. E esse trecho gritou na minha mente. Cara, como é verdade. Eu sempre fui meio louca, meio anormal. E essa anormalidade era meu maior charme para as pessoas... Não sei onde perdi ela, mas acho que meu equilíbrio também se perdeu. Onde eu encontro ele? Como eu volto a lidar com a minha própria insanidade? Eu gostava dela. 



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