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Confissões de Adolescente...


Eu lembro como se fosse hoje...

Eu acordava mau humorada todos os dias (odeio acordar cedo até hoje)... Mas meu mau humor durava apenas cinco minutinhos... Era o tempo que eu demorava pra me lembrar que ia te encontrar... E ia correndo escolher a melhor roupa... E o batom que combinava com a roupa escolhida... E xingava não poder usar minhas melhores roupas na escola... 

E quando o relógio começava a mostrar que estava perto da hora do recreio, eu reforçava o batom... E quando batia o sinal, pegava minhas amigas pelas mãos pra não pegar fila na lanchonete e ficar mais tempo vendo você jogar... 

E quando o jogo terminava, você sempre tinha um sorriso no rosto que quase me hipnotizava... E aí você vinha, me abraçava e me dava aquele beijinho carinhoso no rosto... E a droga daquele relógio começava a voar e logo tocava aquele sinal chato me dizendo que era hora de me separar de você... E a gente ás vezes enrolava até o último segundo conversando sobre coisas tão banais... 

E cada aula vaga que eu tinha, eu ficava pensando se era na sua aula de Educação Física... E na saída sempre ficava um pouco mais no colégio, era mais um tempinho do seu lado... Não tinha nada pra fazer depois da aula mesmo... Ia correr pra quê?

Uma vez até pedi pra uma das minhas amigas pra sondar você e descobrir se eu tinha chances... Fiquei dias perguntando pra ela se ela tinha tido chances de falar com você... Até o dia que ela me respondeu que sim... 

E que a resposta não era boa... E eu descobri que apesar dos meus esforços pra ser notada, eu estava apenas no rol das amigas... Ok... Eu não podia te forçar a gostar de mim... Na verdade, eu sabia que você gostava de outra menina, que te mantinha no mesmo rol que eu estava para você... E algumas vezes até tentei fazer com que ela te tirasse dessa friend zone, pra te fazer feliz... Ás vezes eu penso que se eu tivesse tido coragem de chegar pra você e falar o que eu sentia, talvez você tivesse pensado na possibilidade... Mas como éramos jovens demais ainda não sabíamos lidar com esses sentimentos e eu morria de medo de perder o carinho que eu tinha de você... E assim se passaram dois anos... Eu engolindo o meu sentimento tão bonito e sincero...

E hoje eu invejo os adolescentes... Com as redes sociais que chegaram pra ficar, só perderão contato no fim das aulas se quiserem... Eu saí do colégio, você ficou mais um ano... E perdemos contato... De lembrança ficaram apenas três fotos... 

Que coincidentemente ainda olhei outro dia, e me lembrei dessa época com tanto carinho... Pensei até em escaneá-la e postar no facebook... Quem sabe alguém poderia ter o seu contato, né? Mas lembrei que você era um ano mais novo e pensei que dificilmente alguém tivesse o seu contato... Que idiota eu fui ao esquecer que você era do time da escola, e que como quase todos, talvez tivesse feito Educação Física na faculdade, o que estreita os laços... E aí eu guardei a foto e nem tentei... Ok, talvez você nem se lembrasse de mim, mas eu sequer tentei... 

Não mudaria o que aconteceu... Mas eu teria um ou dois meses pra conversar com você... E agora realmente só me lembraram as belas lembranças de colégio mesmo...

Por que eu estou falando isso agora? Porque se eu tivesse tentado encontrar com você, eu te contaria essa história toda, e daríamos risada de como éramos idiotas quando adolescentes... E talvez até imaginássemos como seria se tudo tivesse acontecido de forma diferente... 

Mas, ao invés disso, ontem eu recebi uma foto sua no meu mural, com o mesmo sorriso lindo que eu me lembrava dizendo que um acidente de moto havia o apagado... E ali estava o link que eu pensei que não existiria... Sempre tão perto e eu não acreditei... E no final, eu nem consegui te dizer o quanto você foi especial pra mim... Eu acredito que em algum lugar você pode ler o que hoje eu escrevo e que um dia nos encontraremos em outro plano e daremos risada desse desabafo tardio, mas enquanto isso não acontece, deixo aqui mesmo... Como uma homenagem tardia a quem alegrou dois anos da minha vida sem saber... E lamento eternamente o fato de termos perdido contato depois do Conte... Sempre me lembrarei do teu sorriso vindo cumprimentar a gente, seu suor escorrendo pelo rosto depois do jogo, o modo como você jogava, seu abraço, o beijinho carinhoso e ainda está gravado na alma o último abraço forte, de despedida no meu último dia de aula... Se eu soubesse que seria realmente o último, teria apertado um pouquinho mais... 

E nesse momento, enquanto evito que uma lágrima escorra dos meus olhos como suor, apenas peço a Deus que sua alma tenha sido bem recebida, que você não sofra mais e que os anjos de bem amparem a sua família e amigos... Que amenizem o possível a dor da perda...

Ronaldo, eu e César.

































Fica em paz, César... Por aqui a gente se vira... E até um dia!!!


PS: Texto escrito em 16 de março de 2012.

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