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Bem vindo à sala de parto!

E então ela descobriu porque ultimamente preferia a bateria do celular carregada do que a do mp4... no celular não haviam aquelas músicas que cismavam em conversar com ela... no celular só haviam aquelas séries que distraiam a cabeça e a levavam para um mundo diferente do que aquilo que habita a sua imaginação idiota fértil...

E o pior é que quando uma história começa, ela não consegue parar até o final... e não ouse interromper esse momento... deixe que ela observe as pessoas em volta e as encaixe nessa maluquice... não ligue, não chame... enquanto o olhar está perdido e suas feições demonstram sentimentos como uma conversa ao telefone escondido no fundo da bolsa destruída...

Cuidado ao vê-la com aqueles fones rosa na orelha, há uma mente criando atrás daquelas lentes... tem uma mente sonhando, procurando palavras na música que se encaixem naquele parágrafo...

E não estranhem se de repente ela fala sozinha e abre os braços na rua... ela está só sentindo os sentimentos ruins se esvaírem rapidamente do corpo cansado de ficar calado...

Em seguida seus pés começam a dançar sozinhos ao som da música, levando a cabeça de um lado para o outro, obrigando o resto do corpo a acompanhar, porque o seu mp4 captou as ondas do seu pensamento e acelerou as suas músicas... E ela se concentra para não cantar em voz alta, não pelas pessoas em volta que pensariam que ela é louca... mas sim por ter noção de sua horrível voz de criança e sua incrível desafinação...

E a história vai se desenrolando pela ponta dos seus dedos, dando uma nova função ao celular que não só assistir séries sem parar, ou jogar Candy Crush Saga...

E a música a lembra de algum momento especial que ela acha que cabe ali... e então ela para, aperta o pequeno aparelho nas mãos, e pensa como ela pode eternizar aquele momento...

Ou então, ela "tem uma visão" de um momento que ela gostaria de viver... e é claro que aquilo vira história...

O que poucos sabem dela é que ela tem medo de suas histórias... ela ama e sempre amou escrever, mas seu maior medo é acreditar em suas histórias... como uma adolescente... não seria a primeira vez... não é interessante confundir personagem e personalidade...

Por muitas vezes ela tenta esconder aquela história no fundo de sua mente, mas ela não consegue esconder a música, e enquanto aquilo não encontra seu final, tudo se repete de novo, de novo, e de novo...(um dia ela ainda escreve a triste história de Sovereign Light Cafe, do Keane)...

E as músicas continuam criando vida em cenas na vida daquela garota já transformada em mulher... cenas que alegram, entristecem, assustam, dão esperança, trazem saudades, revelam segredos, mandam recados...

E quando a história chega ao seu final, por vezes inesperado, ela respira fundo, relaxa os ombros, e lê aquilo umas 20 vezes... 10 procurando erros e outras 10 decidindo se vai publicar...

E é assim que nascem todos os posts desse blog! Obrigada por assistir á mais um parto...


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