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MALDITA INSÔNIA



Olho o relógio, olho a TV desligada... a única coisa que se mexe são os números no relógio digital... não há novidades, tudo parece o mesmo... até a insônia amiga resolveu dar as caras... e fico ali acompanhando o tempo, tentando adivinhar o momento em que vai mudar os minutos... conversando com a insônia, convencendo-a a seguir seu caminho e me deixar dormir... Ela me responde “dormir pra quê, você não tem nada pra fazer...”

Mais um minuto passa, eu penso no resto da casa... tudo vazio, escuro e silencioso... E a insônia ri na minha cara...

Sinto sede, mas não quero me mexer... não posso dar esse gosto pra ela... jamais! E engulo a própria saliva mandando essa sensação embora...

Sinto fome, mas tudo está tão longe... e a insônia dança em volta da cama, sai pela janela... fecho os olhos por um momento... e ela se joga nos meus joelhos cansados...

Penso em gritar, expulsa-la no grito... mas ela me cala a boca com as mãos geladas... Me quer só pra ela...

Aperto a cabeça entre as mãos... o que você quer aqui, eu pergunto... não sinto a sua presença... Ufa! Mas ainda não sei a razão de suas constantes visitas... será que eu estou enlouquecendo?
Olho pra cima, meio de canto de olho, e lá está ela, ainda me olhando... e rindo... 

RINDO!!!

Por que ela simplesmente não me responde? O desespero começa a tomar conta do meu corpo... não sei o que fazer, estou perdendo os sentidos, começo a me deixar levar por ela... ok, você venceu, pra onde quer me levar enfim?

E de repente, me sinto fora de mim, vivendo histórias que não são minhas... mas sou eu que estou ali, dançando com pessoas que não estão mais na minha vida... pessoas que eu afastei, pessoas que se afastaram, que simplesmente se foram, que a vida levou... tendo conversas que não existem, que nunca existirão...

Vendo sonhos que não se realizarão acontecendo na minha frente... como se fossem reais!

Estou em lugares que nunca estive, estou em lugares que nunca estarei... como isso pode ser possível?

Ela está ao meu lado esquerdo... ao meu lado direito está ele... como? Não é possível... esqueço de tudo por um minuto, e abraço ele! Ele, que sempre foi tão importante, tão especial, tão tudo... me esqueço naqueles braços grandes e aconchegantes... será que eu disse o quanto eu o amei? Acho que não, talvez seja o momento, momento único, de aproveitar... e como sempre, quando vou dizer tudo que ficou entalado na garganta... ele se desfaz em fumaça... e mais uma vez, não consigo completar...

À minha direita, ela continua com aquele sorriso irônico... ela percebe a raiva nos meus olhos castanhos e úmidos... e assim, fora de mim, grito, grito e grito... POR QUÊ???

Mais uma vez, a resposta não vêm... ainda vejo a fumaça daquele que me fez quem eu sou, com as minhas qualidades e defeitos, que está tão dentro de mim, e que ainda carrega um tanto de mim...

Enxugo a lágrima que cisma em escapar, respiro bem fundo... e dou um tapa na cara daquela que me tortura sem razão aparente... minha mão se espatifa no nada, no ar... na brisa gostosa que entra pela janela aberta, nesta deliciosa noite de verão...

Fecho os olhos, deito de novo na cama bagunçada, me enfio no meio do edredom amigo, e me esforço para retomar o controle do meu corpo... antes que ela me controle de novo... eu não vou me mexer, não vou me mexer...


E este é mais um texto baseado em música... que venham mais insônias, recheadas de palavras... esse espaço é mais feliz assim!

Mais uma vez, obrigada a quem chegou até o final... um beijo enorme no seu coração!


Elaine Cristina

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