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Aquele Abraço...

sen·sa·ção

sf
FISIOL, PSICOL
1 Reação específica provocada por um estímulo externo ou interno, causando uma impressão sobre os órgãos dos nossos sentidos.
2 Conhecimento intuitivo e geralmente imediato.
3 Vivência significativa que desperta afetos e emoções conflitantes; emoção.
4 Grande impressão, impacto ou surpresa devido a um acontecimento raro, incomum ou especial.
ETIMOLOGIAlat sensatĭo, -onis.

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Era um local fechado. A música estava alta. Muita gente. Todo mundo feliz, cantando, dançando, balançando os copos cheios... 

Eu estava ali, comemorando alguma coisa com todo mundo... O quê? Não lembro. Quem estava do meu lado? Tanta gente... Gente que eu amo, que eu não amo... Gente. Muita gente.

O lugar era o mesmo. Já não tinha música. As luzes acesas. Já não tinha muita gente. Ninguém mais estava de pé. Os rostos felizes permaneciam. Alguns copos ainda estavam cheios. Já se via alguns funcionários chegando com suas vassouras... 

Foi nesse momento que nossos olhares se cruzaram. Nós estávamos ali, lado a lado, a noite toda. Provavelmente nos esbarramos no bar, e não nos enxergamos. 
Fiquei te olhando de longe... Você não estava tão diferente do que eu me lembrava afinal... Você me retribuía o olhar... Eu te via perguntando para os seus - e meus - amigos se eles também me viam... Ao mesmo tempo, eu queria perguntar para alguém também, mas o mundo que eu estava era diferente do seu... 
E, como um movimento combinado, falamos algo para quem estava ao nosso lado, viramos nossos copos e nos levantamos... Tentamos disfarçar que não estávamos indo um em direção ao outro, mas era impossível. 

Um "oi" tímido, meio indeciso, meio sem saber se era aquilo mesmo... E nossas suspeitas foram confirmadas. Você era você mesmo, e eu era eu mesma. 
"Nossa, que surpresa, como você está?"
E nos abraçamos forte e por mais tempo que deveríamos... E quando eu começava a sentir falta de ar... Senti outros braços em volta de nós... E toda a saudade presa dentro de mim por anos esvaiu-se de mim em lágrimas! 

Eu parei. Respirei fundo. Pisquei. 

Estávamos na rua. Andando a esmo. Os copos se transformaram em garrafas geladas. Eles caminhavam alguns passos a frente. Riam, lembravam de coisas, me contavam outras... E nós estávamos abraçados. Andávamos devagar, combinando os pés, nossas mãos entrelaçadas nos seus ombros... 
Eu olhava em volta, tentava reconhecer onde eu estava, mas nada era familiar... Eu só sentia que estava no lugar certo. 

"Nunca outro alguém se encaixou tão bem em meus braços..." Sua voz baixa nos meus ouvidos me acorda do devaneio. 
"Nunca me encaixei assim em outros braços também..."
Em um minuto mágico, paramos de andar, nos abraçamos mais forte...... 

Imagem de StockSnap por Pixabay 


E eu fui arrancada violentamente daqueles braços, daquela rua, daquelas risadas... Um barulho baixo, constante e chato ecoava no ambiente. Era o despertador. 
Me restou apenas a lembrança daquele momento, a sensação fantástica daquele abraço, e aquelas palavras ecoando na mente. 
Mas de quem vieram? Também não sei.

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