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Não beija o sapo!

Ela era daquelas garotas românticas, que perdia um tempão escrevendo cartas de amor… que fazia surpresas bobas no aniversário de namoro… que planejava o presente romântico no aniversário dele… e que não ligava quando não recebia de volta, pois ela sabia que aquilo era o jeito dela, e ela não podia esperar o mesmo de ninguém. 

Ela acreditava em amor à primeira vista… em almas gêmeas… em príncipes encantados… que só se ama de verdade uma vez… 


Ela pensava que um dia encontraria a sua tampa da panela, e viveria feliz para sempre… igual nas histórias que ela lia… ela pensava que viveria dias de sol e amor na praia, e dias de chuva e chocolate quente na fazenda… ela pensava que, aos 40 já teria conquistado o mundo, e conhecido uma parte do mundo. 


Sabe aquele ditado popular: "o amor é uma flor roxa, que nasce no coração dos trouxas"? Então, ela achava que quem escreveu isso foi alguém mal amado… Será que eu alívio a barra dela se eu disser que todo mundo pensa assim aos 15 anos de idade? Aos meus 15, eu diria que sim. Hoje, não tenho certeza. 


Ela acreditou no príncipe encantado… não enxergou o plebeu que merecia atenção. Cuidou do vilão que não merecia. E beijou o sapo quando pensou que ele deveria ser um príncipe disfarçado. Coitada. 


Ela se olhava no espelho, e se enxergava como uma princesa. Uma princesa cheia de charme, que estava destinada a ser feliz, com seu príncipe, com amigos… em um castelo arborizado… Eu olho pra ela hoje, e pergunto… em que momento fizeram ela acreditar nesse sonho? Seria crueldade gritar na cara dela pra não se iludir? Seria crueldade queimar as referências que ela teve para acreditar tão cegamente no amor? 


Olho de novo, ela está deitada no chão, escrevendo… não consigo ver se seria mais uma carta de amor que não deveria ser entregue, se é uma pseudo-poesia que não será lida por ninguém, se é apenas mais um trabalho da escola… mas, pela expressão do olhar dela, é mais um sonho que ela não deveria ter. 


Ah… eu só queria que ela soubesse que ela não deveria imaginar tantos príncipes e tantas princesas… que no mundo real, eles não existem. Ela tinha que ter aprendido a enxergar as pessoas como reais, não se iludir com aquele vilão que fez ela se separar do príncipe… e por favor, não beija o sapo! 



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